Quando o amor não aceita pressa
“Você precisa se casar!!!” A frase ecoa como uma ordem disfarçada de conselho. Como se a vida tivesse um cronograma único, uma fila invisível onde todos devem chegar ao mesmo destino no mesmo horário. Mas eu nunca soube escolher pelas aparências. Nunca me apressei por obrigação. Meu interesse sempre esteve naquilo que não grita: na vida sentida com calma, nas músicas clássicas que preenchem o silêncio, nas artes que não explicam — apenas tocam. Nos poemas delicados e misteriosos, nos livros de histórias medievais, nas borboletas que se tornaram raras, nas nuvens de tardes nubladas. Tudo isso sempre me encantou mais do que qualquer pressa. Encanta-me alguém que sorri com os olhos. Uma criança que sorri sem motivo. Um botão de flor prestes a abrir. Uma gata guiando seus filhotes no asfalto às três da tarde. E foi assim, sem aviso, que Bach entrou na cena. Prelúdios lentos. Ao ouvi-los, imaginei um salão amplo, clássico, elegante. Um piano no canto, alguém tocando com delicadeza. Hav...